#PercursosPedestresdePortugal - Provas de resistência, nível alto

Percursos pedestes, uns são fáceis, com poucos quilómetros, e outros longos, que demoram vários dias a percorrer. Mas há uma característica comum em todos estes trilhos: permitem descobrir, de uma forma única, algumas das mais belas paisagens de Portugal.
PROVAS DE RESISTÊNCIA – NÍVEL ALTO

11 – TRILHO DA SERRA AMARELA
Ponte da Barca
Ponto de partida e de chegada: Ermida
Distância: 35 km

Com uma cota máxima superior a 1300 metros, a serra Amarela é um dos maiores relevos montanhosos do Parque Nacional da Peneda Gerês, num agreste território granítico, dominado por matos secos de urzes, tojos e giestas, aqui e ali salpicado de carvalhais e manchas de azevinho, que serve de habitat a mais de 200 espécies de vertebrados (como a cabra-montês, o corço e o lobo), além de inúmeras espécies de aves e répteis.
É este território único, habitado desde o Neolítico, que esta Grande Rota pretende dar a conhecer. Com início e fim no lugar da Ermida, este percurso desdobra-se por quatro etapas, sendo necessário cerca de dois dias para o completar. A primeira começa por percorrer o Vale de Carcerelha, entre urzais, tojais e giestais.
Já a segunda tem como ponto de partida o lugar de Cutelo e prolonga-se até Vilarinho da Furna, numa etapa marcada pela mudança de paisagem.
A terceira parte do percurso começa junto à barragem de Vilarinho, construída na viragem da década de 60 para a de 70 e que submergiu por completo a aldeia de Vilarinho da Furna.
Avança depois por um território típico de montanha até à Louriça, o ponto mais alto da serra Amarela, a 1361 metros de altitude e de onde parte a última etapa, que marca o regresso ao ponto de partida.
12 – ROTA DA GARGANTA DO LORIGA
Seia
Ponto de partida: Salgadeiras (ao km 27 da EN338)
Ponto de chegada: Loriga
Distância: 9 km

No topo do planalto central da serra da Estrela, este percurso linear percorre o vale da Ribeira da Nave, ligando esta garganta até à vila de Loriga, numa descida de mais de mil metros de altitude através de uma impressionante paisagem, esculpida há mais de 10 mil anos por um glaciar com mais de 6 quilómetros de comprimento.
A ação modeladora do gelo, que se acumulava no alto da serra e escoava depois pelo vale, criou aqui uma morfologia glaciar típica, composta por uma sucessão de quatro depressões, designadas localmente por covões.
Na primeira parte do percurso, o caminhante é surpreendido por uma típica zona húmida de montanha, com prados de altitude, juncais, turfeiras e vegetação flutuante.
Avança-se depois por um passadiço metálico suspenso sobre o espelho de água da barragem, até que, já rodeados de zimbros e urzes, se chega ao topo do Covão do Meio, onde a sede pode ser saciada com a água fresca e pura do riacho que, um pouco mais à frente, cai em cascata junto ao paredão da represa.
O passeio continua depois através de antigos trilhos de pastores e caçadores, com passagem por prados verdes e lagoas naturais. Já perto do final, é também obrigatória uma paragem mais demorada na praia fluvial da Ribeira de Loriga, conhecida pela sua sucessão de cascatas de água cristalina.
13 – CAMINHO DO XISTO DA LOUSÃ
Lousã Rota das Aldeias
Ponto de partida e de chegada: Castelo da Lousã
Distância: 6 km

O castelo da Lousã é o ponto de partida para uma jornada pela serra e pelas aldeias do Talasnal e Casal Novo. A primeira parte do caminho, em alcatrão e a descer, conduz a uma aprazível praia fluvial, encimada pela ermida de Nossa Senhora da Piedade, cada vez mais distante, à medida que se sobe a encosta primeiro por um trilho escavado na rocha, com uma vista deslumbrante sobre o desfiladeiro, e depois, mais a pique, por um carreiro entre os pinheiros.
Com uma altitude máxima superior a 1200 metros, a serra da Lousã é conhecida pelos seus quase intocados espaços naturais, onde é possível avistar corços, veados e javalis. Hoje, as típicas aldeias de xisto, apesar de recuperadas, estão praticamente desabitadas.
Entretanto, o caminho de terra batida dá agora lugar a um pequeno trilho, que serpenteia pela floresta a paisagem é deslumbrante, mas o terreno acidentado obriga a atenção redobrada.
Do alto, avista-se já o Talasnal, que ao fim de semana recupera a vida de outrora. É agora tempo de voltar a descer, até à antiga Central Hidroelétrica da Ermida, uma peça de arqueologia industrial que em tempos serviu para iluminar a vila da Lousã. Passadas as águas da Ribeira de São João, que aqui corre em cascata, a estrada volta a alargar e, ao longe, já se vê novamente o castelo.
14 – ROTA VICENTINA
Santiago do Cacém
Ponto de partida: Santiago do Cacém
Ponto de chegada: Cabo de São Vicente
Distância: 340 km

Esta grande rota permite conhecer, ao pormenor e de forma sustentada, toda a riqueza cultural, paisagística e social de um dos mais bem preservados troços costeiros da Europa.
Com mais de 300 quilómetros de extensão, cruza os concelhos de Santiago do Cacém, Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo, estando dividida em dois percursos: o Caminho Histórico (pelo interior) e o Trilho dos Pescadores (pelo litoral), que se cruzam em Porto Covo e Odeceixe.
O Trilho dos Pescadores inclui 4 etapas, que ligam Porto Covo ao cabo de São Vicente, sempre junto ao mar, por entre falésias, enseadas e praias desertas, através dos trilhos usados há gerações para aceder aos pesqueiros. Por sua vez, o Caminho Histórico percorre um itinerário rural, passando por uma paisagem de montado, serra e vales.
Conta com um total de 13 etapas e está integrado na Grande Rota Europeia, que liga Sagres a São Petersburgo, na Rússia. Para quem só conhece o litoral, a riqueza da paisagem é surpreendente, revelando locais como o Pego das Pias, onde a Ribeira do Torgal passa por um estreito desfiladeiro, formando um lago com uma enorme pedra no centro.
Ou, no caminho entre São Luís e o Cercal, a Rocha de Água de Alto, uma queda de água com mais de 30 metros, situada no sopé na serra do Cercal.
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